Bento XVI não se sente sozinho em meio às dificuldades e ataques que a Igreja e sua própria pessoa receberam nas últimas semanas, segundo ele mesmo confessou aos cardeais hoje, ao comemorar o 5º aniversário do seu pontificado.
A festa foi celebrada com um almoço, no Palácio Apostólico, do qual participaram 46 cardeais presentes em Roma, dos 121 que existem no mundo. Um dia depois da peregrinação apostólica pontifícia a Malta, no Vaticano era dia de festa para os funcionários, ao contrário do aniversário de Joseph Ratzinger, no último dia 16 de abril, que foi um dia de trabalho normal.
"Neste momento, sinto intensamente que não estou sozinho, sinto que tenho ao meu redor todo o Colégio Cardinalício e com ele compartilho tribulações e consolos", afirmou o Pontífice, segundo sintetiza a edição italiana do L´Osservatore Romano de 20 de abril.
"O Papa quis agradecer o Colégio Cardinalício pela ajuda que recebe a cada dia. Sobretudo, no momento em que parecem se confirmar as palavras de Santo Agostinho de Hipona, citadas pelo Concílio Vaticano II, segundo as quais a Igreja peregrina entre´as perseguições do mundo e o consolo de Deus´."
"Neste sentido, o Pontífice mencionou os pecados da Igreja, recordando que esta, ferida e pecadora, experimenta ainda mais os consolos de Deus", explica o jornal vaticano.
"Na Igreja, reconheceu o Bispo de Roma, segundo o L´Osservatore Romano, existem dois princípios: um pessoal e um de comunhão. O Papa tem uma responsabilidade pessoal, que não pode delegar; mas o bispo está cercado pelos seus presbíteros. E o Papa está cercado pelo Colégio Cardinalício, que poderia ser chamado, segundo os termos orientais, quase de ‘sínodo´, sua companhia permanente que o ajuda e acompanha em seu trabalho."
À mesa, perto do Papa, estavam sentados os cardeais Tarcisio Bertone, secretário de Estado; Angelo Sodano, decano do Colégio Cardinalício; Roger Etchegaray, presidente emérito do Conselho Pontifício Justiça e Paz; Giovanni Battista Re, prefeito da Congregação para os Bispos; José Saraiva Martins, prefeito emérito da Congregação para os Santos; e Jozef Tomko, prefeito emérito da Congregação para a Evangelização dos Povos.
No final do almoço, o cardeal Sodano dirigiu uma saudação em nome dos presentes, na qual recordou aquela tarde do dia 19 de abril de 2005, dia em que o cardeal Ratzinger dirigiu-se ao balcão da Basílica de São Pedro convertido em sucessor de João Paulo II.
O purpurado assegurou ao pontífice que todos os cardeais se unem ao seu redor neste aniversário. "Com este espírito, nós lhe desejamos do mais profundo do coração: Ad multos annos, ad multos felicissimos annos!"
Cidade do Vaticano, 19 de abril de 2010.
Fonte: Zenit